23 de Fevereiro de 2011

Ford Cortina

Hoje pareceu-me que o velho Cortina verde passara  por mim. E quis acreditar que eras tu quem guiava o volante colocado do lado direito. Porque lá se guiava ao contrário, respondias tu quando te perguntava porque é que nosso velho carro verde era diferente dos outros. Lá, era como chamavas aquela terra de onde sorrias nas fotos de colorido esbatido. Estranho sítio esse, pensava eu, sentada no banco de trás, olhando o teu perfil. Estranha terra, onde não fazia frio no Natal, se conduzia ao contrário e que te punha os olhos do outro lado do hemisfério sempre que falavas dela. Como se o tempo e o espaço partilhassem o mesmo meridiano e paralelo. E eu quis hoje que os meus olhos dobrassem esses eixos assim, como fazias. Porque hoje, quis muito, muito, que me levasses de novo no velho Cortina verde com o volante ao contrário.

6 Comentários:

Teresa Durães disse...

dos tempos qie queremos recuperados. Serão iguais?

Maria disse...

Um momento muito especial para ti, acredito. Num dia especial, também.

Beijo, Cristina
;)

mfc disse...

Há saudades que não se matam mesmo!

gabriela r martins disse...

as memórias não se apagam .vivem.se e enquanto tal ,tornamos presentes os ausentes...........



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um beijo

Laura Ferreira disse...

Lindo... como eu entendo estas palavras...

Luísa disse...

É giro, Cristina, como em nove linhas escreve um belo romance. :-)