Hoje pareceu-me que o velho Cortina verde passara por mim. E quis acreditar que eras tu quem guiava o volante colocado do lado direito. Porque lá se guiava ao contrário, respondias tu quando te perguntava porque é que nosso velho carro verde era diferente dos outros. Lá, era como chamavas aquela terra de onde sorrias nas fotos de colorido esbatido. Estranho sítio esse, pensava eu, sentada no banco de trás, olhando o teu perfil. Estranha terra, onde não fazia frio no Natal, se conduzia ao contrário e que te punha os olhos do outro lado do hemisfério sempre que falavas dela. Como se o tempo e o espaço partilhassem o mesmo meridiano e paralelo. E eu quis hoje que os meus olhos dobrassem esses eixos assim, como fazias. Porque hoje, quis muito, muito, que me levasses de novo no velho Cortina verde com o volante ao contrário.
6 Comentários:
dos tempos qie queremos recuperados. Serão iguais?
Um momento muito especial para ti, acredito. Num dia especial, também.
Beijo, Cristina
;)
Há saudades que não se matam mesmo!
as memórias não se apagam .vivem.se e enquanto tal ,tornamos presentes os ausentes...........
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um beijo
Lindo... como eu entendo estas palavras...
É giro, Cristina, como em nove linhas escreve um belo romance. :-)
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